Por que é difícil manter o peso após parar de usar canetas emagrecedoras?
O retorno do apetite e as mudanças no metabolismo exigem atenção após a suspensão do tratamento
O fim do tratamento com canetas emagrecedoras não representa, necessariamente, o fim do processo de emagrecimento. Para muitas pessoas, é justamente nesse momento que surge uma das maiores dificuldades: manter os resultados conquistados sem os efeitos do medicamento sobre a fome e a saciedade.
A interrupção de medicamentos como Wegovy e Mounjaro modifica a maneira como o organismo responde à alimentação. Ao mesmo tempo, o corpo que perdeu peso já não apresenta as mesmas necessidades energéticas de antes. Essa combinação ajuda a explicar por que a manutenção dos resultados pode ser tão desafiadora.
Quando a fome volta a ganhar espaço
Durante o tratamento, medicamentos como semaglutida e tirzepatida atuam sobre mecanismos hormonais que regulam o apetite, aumentando a sensação de saciedade e facilitando a redução da ingestão alimentar.
Com a suspensão, esses efeitos diminuem gradualmente. A fome pode voltar a se manifestar com maior intensidade, e porções que antes eram suficientes podem deixar de proporcionar a mesma satisfação.
Uma extensão do estudo clínico “STEP 1”, publicada em 2022 na revista Diabetes, Obesity and Metabolism, acompanhou 327 participantes após o encerramento do tratamento com semaglutida. Em um ano, eles recuperaram, em média, aproximadamente dois terços do peso perdido.
Embora o estudo não permita atribuir o reganho exclusivamente ao retorno do apetite, os resultados mostram como a manutenção do emagrecimento pode se tornar difícil após a suspensão da medicação.
O metabolismo também passa por adaptações
A dificuldade de manter o déficit calórico não depende apenas da quantidade de comida consumida. Conforme o peso diminui, o organismo geralmente passa a gastar menos energia para realizar suas funções e atividades diárias.
Parte dessa mudança está relacionada à redução do próprio peso corporal. Além disso, o emagrecimento pode envolver perda de massa magra, incluindo tecido muscular, o que também influencia o gasto energético.
Consequentemente, uma alimentação que antes produzia déficit calórico pode passar a fornecer uma quantidade de energia próxima à necessária para manter o novo peso.
Por que os resultados podem ser difíceis de sustentar?
Uma revisão sistemática publicada em 2026 no British Medical Journal reuniu 37 estudos, com 9.341 participantes, para analisar a recuperação de peso após a interrupção de medicamentos para emagrecimento.
Entre os usuários de semaglutida e tirzepatida, os pesquisadores estimaram um reganho médio de 0,8 kg por mês. O resultado não representa uma evolução obrigatória para todos os pacientes, mas evidencia a importância de planejar o acompanhamento após o tratamento.
A dificuldade pode ser ainda maior quando a rotina alimentar e a prática de exercícios não foram adaptadas às necessidades individuais durante o período de uso da medicação.
O que ajuda a manter os resultados?
A manutenção do peso depende de estratégias que possam ser sustentadas a longo prazo. Priorizar alimentos ricos em proteínas e fibras pode ajudar a controlar a fome, enquanto a musculação contribui para preservar a massa muscular.
A prática regular de atividade física e o acompanhamento nutricional também permitem ajustar a alimentação às novas necessidades energéticas, sem recorrer a restrições excessivas.
É importante lembrar que manter o peso perdido não exige permanecer em déficit calórico continuamente. Depois de atingir o objetivo, a alimentação deve buscar um equilíbrio entre a energia consumida e a quantidade gasta pelo organismo.
Como a obesidade é uma doença crônica, a suspensão das canetas deve ser discutida com o médico responsável. Para algumas pessoas, a continuidade do tratamento medicamentoso pode ser necessária para manter os resultados.





