Menopausa: preservar músculos é tão importante quanto cuidar dos hormônios

Menopausa: desvende o impacto do metabolismo, sarcopenia, exercícios e sono na sua saúde, além da reposição hormonal.

Por Maraísa Bueno 5 jul 2026, 22h00 | Atualizado em 9 jul 2026, 11h33
Mulher loira de meia-idade, sorrindo, com camiseta branca e calça preta, braços abertos para os lados, em um campo verde sob céu azul claro
A reposição hormonal passou a ser uma alternativa durante a menopausa que hoje possui mais opções de cuidados.  (magnific/Magnific)
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Por muito tempo, a menopausa foi associada, principalmente, à queda dos hormônios femininos e a reposição hormonal sempre foi o tratamento mais adequado. Apesar desse recurso ainda ser importante e bem estabelecido em indicações específicas, especialistas vêm defendendo uma visão mais ampla e integrada dessa fase da vida da mulher, com outras alternativas.

A menopausa chega com mudanças na composição corporal, no metabolismo, na qualidade do sono e nos hábitos de vida desempenhando um papel determinante na saúde feminina.

É bastante comum mulheres atribuírem o ganho de peso exclusivamente à queda hormonal. Porém, estudos científicos mostram que a redução de estrogênio e progesterona é apenas um dos fatores envolvidos em um conjunto mais amplo de alterações fisiológicas.

“A queda hormonal é um componente importante, mas não isolado. Há uma interação entre metabolismo, perda de massa muscular, padrão alimentar, sono e nível de atividade física”, explica a médica Camila Teixeira, especialista em gastroplastia endoscópica e nutrologia.

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Outros estudos indicam que, a partir dos 40 anos, ocorre uma tendência progressiva de perda de massa muscular, fenômeno conhecido como sarcopenia, que pode se intensificar durante a transição menopausa.

Quais são os melhores exercícios para quem está na menopausa?

“Essa redução da massa magra está diretamente relacionada à diminuição do gasto energético basal, o que contribui para o ganho de peso mesmo sem aumento significativo da ingestão calórica”, reforça a médica.

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Além disso, alterações hormonais podem impactar negativamente a sensibilidade à insulina, favorecendo o acúmulo de gordura abdominal, um dos principais marcadores de risco cardio metabólico em mulheres nessa fase.

Reposição hormonal: é ou não essencial?

Nesse contexto, a reposição hormonal, embora ainda seja uma ferramenta terapêutica relevante para casos selecionados, tem seu papel cada vez mais entendido dentro de uma estratégia individualizada.

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Diretrizes atuais apontam que a terapia hormonal deve ser indicada com base em avaliação de risco-benefício, levando em consideração histórico clínico, idade, tempo de menopausa e presença de sintomas.

Novas alternativas que não tão novas assim

Paralelamente, novas abordagens terapêuticas vêm sendo incorporadas à prática clínica, incluindo estratégias de otimização metabólica, uso criterioso de hormônios em mulheres selecionadas, suplementação nutricional e, em alguns casos, medicamentos voltados ao tratamento da obesidade.

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No entanto, especialistas são unânimes ao reforçar que nenhuma intervenção farmacológica substitui a base do tratamento: a manutenção da massa muscular e de hábitos de vida saudáveis.

O emagrecimento desacelera na menopausa?

“A atividade física regular, especialmente o treinamento de força, é considerada um dos pilares mais importantes nesse processo. Evidências científicas mostram que exercícios resistidos ajudam não apenas na preservação da massa muscular, mas também na melhora da sensibilidade à insulina, na saúde óssea e na redução do risco cardiovascular”, ressalta João Carlos Simões, professor de Educação Física .

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O profissional destaca que a combinação de diferentes estímulos físicos potencializa os resultados nessa fase.

“Atividades aeróbicas, como caminhada, corrida leve , quando associadas ao treino resistido, ajudam no controle do peso corporal, melhoram o condicionamento cardiovascular e contribuem para o equilíbrio hormonal indireto.”, afirma.

O sono também também precisa ter mais qualidade

Outro fator frequentemente subestimado é a qualidade do sono. Estudos associam distúrbios do sono a maior risco de ganho de peso, aumento da inflamação sistêmica e pior controle metabólico, reforçando sua importância no manejo global da saúde da mulher na menopausa.

Diante desse cenário, especialistas defendem que o tratamento da menopausa deve ir além da reposição hormonal isolada, incorporando uma abordagem multidisciplinar e personalizada, que contemple metabolismo, estilo de vida e prevenção de doenças crônicas.

“Mais do que uma fase de declínio hormonal, a menopausa passa a ser compreendida como um período de reprogramação metabólica, no qual intervenções precoces e bem direcionadas podem ter impacto significativo na qualidade de vida e na longevidade feminina”, conclui a médica.

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