Menopausa: preservar músculos é tão importante quanto cuidar dos hormônios
Menopausa: desvende o impacto do metabolismo, sarcopenia, exercícios e sono na sua saúde, além da reposição hormonal.
Por muito tempo, a menopausa foi associada, principalmente, à queda dos hormônios femininos e a reposição hormonal sempre foi o tratamento mais adequado. Apesar desse recurso ainda ser importante e bem estabelecido em indicações específicas, especialistas vêm defendendo uma visão mais ampla e integrada dessa fase da vida da mulher, com outras alternativas.
A menopausa chega com mudanças na composição corporal, no metabolismo, na qualidade do sono e nos hábitos de vida desempenhando um papel determinante na saúde feminina.
É bastante comum mulheres atribuírem o ganho de peso exclusivamente à queda hormonal. Porém, estudos científicos mostram que a redução de estrogênio e progesterona é apenas um dos fatores envolvidos em um conjunto mais amplo de alterações fisiológicas.
“A queda hormonal é um componente importante, mas não isolado. Há uma interação entre metabolismo, perda de massa muscular, padrão alimentar, sono e nível de atividade física”, explica a médica Camila Teixeira, especialista em gastroplastia endoscópica e nutrologia.
Outros estudos indicam que, a partir dos 40 anos, ocorre uma tendência progressiva de perda de massa muscular, fenômeno conhecido como sarcopenia, que pode se intensificar durante a transição menopausa.
“Essa redução da massa magra está diretamente relacionada à diminuição do gasto energético basal, o que contribui para o ganho de peso mesmo sem aumento significativo da ingestão calórica”, reforça a médica.
Além disso, alterações hormonais podem impactar negativamente a sensibilidade à insulina, favorecendo o acúmulo de gordura abdominal, um dos principais marcadores de risco cardio metabólico em mulheres nessa fase.
Reposição hormonal: é ou não essencial?
Nesse contexto, a reposição hormonal, embora ainda seja uma ferramenta terapêutica relevante para casos selecionados, tem seu papel cada vez mais entendido dentro de uma estratégia individualizada.
Diretrizes atuais apontam que a terapia hormonal deve ser indicada com base em avaliação de risco-benefício, levando em consideração histórico clínico, idade, tempo de menopausa e presença de sintomas.
Novas alternativas que não tão novas assim
Paralelamente, novas abordagens terapêuticas vêm sendo incorporadas à prática clínica, incluindo estratégias de otimização metabólica, uso criterioso de hormônios em mulheres selecionadas, suplementação nutricional e, em alguns casos, medicamentos voltados ao tratamento da obesidade.
No entanto, especialistas são unânimes ao reforçar que nenhuma intervenção farmacológica substitui a base do tratamento: a manutenção da massa muscular e de hábitos de vida saudáveis.
“A atividade física regular, especialmente o treinamento de força, é considerada um dos pilares mais importantes nesse processo. Evidências científicas mostram que exercícios resistidos ajudam não apenas na preservação da massa muscular, mas também na melhora da sensibilidade à insulina, na saúde óssea e na redução do risco cardiovascular”, ressalta João Carlos Simões, professor de Educação Física .
O profissional destaca que a combinação de diferentes estímulos físicos potencializa os resultados nessa fase.
“Atividades aeróbicas, como caminhada, corrida leve , quando associadas ao treino resistido, ajudam no controle do peso corporal, melhoram o condicionamento cardiovascular e contribuem para o equilíbrio hormonal indireto.”, afirma.
O sono também também precisa ter mais qualidade
Outro fator frequentemente subestimado é a qualidade do sono. Estudos associam distúrbios do sono a maior risco de ganho de peso, aumento da inflamação sistêmica e pior controle metabólico, reforçando sua importância no manejo global da saúde da mulher na menopausa.
Diante desse cenário, especialistas defendem que o tratamento da menopausa deve ir além da reposição hormonal isolada, incorporando uma abordagem multidisciplinar e personalizada, que contemple metabolismo, estilo de vida e prevenção de doenças crônicas.
“Mais do que uma fase de declínio hormonal, a menopausa passa a ser compreendida como um período de reprogramação metabólica, no qual intervenções precoces e bem direcionadas podem ter impacto significativo na qualidade de vida e na longevidade feminina”, conclui a médica.
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