Corrida na esteira versus rua: qual é melhor para o corpo?
Saiba quais as diferenças cruciais entre correr na esteira e na rua para seus objetivos.
A corrida é um esporte que ganhou o coração de diversas pessoas em todo o mundo. Mas, muitas vezes, há um objetivo por trás da corrida: pode ser apenas performance, emagrecimento e até mesmo hipertrofia. Além disso, você pode optar por correr na esteira ou na rua. E qual é melhor para o corpo? É o que vamos descobrir a seguir!
Para o especialista técnico da Smart Fit, Lucas Florêncio, do ponto de vista do movimento, correr na esteira versus na rua, as atividades são muito próximas, mas na questão da força, também chamado de cinética, isso muda em alguns pontos, que são: propulsão, ativação muscular, impacto e superfície.
“Do ponto de vista da propulsão, na rua, você precisa exercer uma força horizontal contra o solo para deslocar seu centro de massa à frente. Na esteira, a fita se move sob seus pés; embora você ainda precise “saltar” para trocar os passos, a exigência de propulsão horizontal é ligeiramente menor”, detalha o profissional.
Quando o assunto são os músculos trabalhados, estudos indicam que a ativação dos isquiotibiais (posteriores de coxa) pode ser sutilmente menor na esteira, já que não há necessidade de “puxar” o chão com tanta força para o deslocamento.
Com relação ao impacto e à superfície, Lucas explica que a esteira oferece uma superfície com maior capacidade de absorção de choque (deformação elástica) em comparação ao asfalto ou concreto, o que pode ser benéfico para indivíduos em reabilitação ou com sobrepeso, reduzindo o estresse articular inicial.
Emagrecimento ou hipertrofia: qual é melhor para o corpo?
Para o emagrecimento, o fator determinante na corrida na esteira versus na rua é o gasto energético total e a adesão ao treino. Ou seja, na rua, você enfrenta a resistência do ar (arrasto), o que aumenta o custo metabólico. Na esteira, o ar está estático.
“Para equalizar o gasto energético da corrida na esteira, a literatura sugere configurar a esteira com 1% de inclinação. Isso compensa a falta de resistência do ar e a facilidade mecânica da fita rolante”, pontua o especialista técnico da Smart Fit.
Além disso, se a intensidade (frequência cardíaca e percepção de esforço) for equalizada, a corrida na esteira versus na rua são igualmente eficazes.
“A vantagem da esteira é o controle total de variáveis (velocidade constante), enquanto a rua oferece variações de terreno que podem elevar o gasto calórico de forma não linear”, disse.
Apesar da corrida ser predominantemente aeróbia, ela também pode influenciar o ganho de massa de duas formas:
- Interferência: se o volume de corrida for excessivo, pode haver o “efeito de interferência”, onde as vias de sinalização de hipertrofia (mTOR) são atenuadas pelas vias de resistência (AMPK).
- Preservação de Massa: para quem busca hipertrofia, a esteira pode ser uma ferramenta de controle mais segura para realizar o “cardio regenerativo” ou de baixa intensidade, evitando o impacto excessivo e a fadiga periférica da rua, que poderiam prejudicar o treino de pernas na musculação.
“Sexto sentido” corporal
Lucas também pontua a respeito do quanto o ambiente também colabora com o corpo durante a corrida.
“Correr na rua exige constantes ajustes de tornozelo, joelho e quadril devido a irregularidades no solo, curvas e desníveis. Isso promove um fortalecimento dos músculos estabilizadores e melhora a propriocepção e o equilíbrio dinâmico de forma muito mais eficiente que o plano perfeito da esteira”, finaliza.
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