Repetir o mesmo treino: quando a mudança é necessária para continuar evoluindo?
Manter uma rotina ajuda na evolução, mas isso não significa que ela deva permanecer igual para sempre. Entenda quando é hora de fazer mudanças
Encontrar um treino que funciona pode dar vontade de mantê-lo por tempo indeterminado. Afinal, se aquela sequência trouxe resultados, por que mudar? O problema aparece quando não apenas os exercícios, mas também cargas, séries, repetições e intensidade permanecem iguais durante meses ou anos.
O problema não é repetir exercícios
Você não precisa abandonar o agachamento, o supino ou a remada simplesmente porque já os pratica há bastante tempo. Alguns padrões de movimento podem permanecer na rotina por anos.
O que precisa continuar evoluindo é o estímulo. Pelo princípio da sobrecarga progressiva, o corpo precisa ser submetido a desafios maiores conforme se adapta. Isso pode acontecer aumentando a carga, o número de repetições ou séries, modificando a execução ou ajustando outras variáveis do treino.
As recomendações do American College of Sports Medicine (ACSM) também destacam a importância da progressão no treinamento resistido para continuar desenvolvendo força e massa muscular.
Quando o treino entra no piloto automático
Nas primeiras vezes que você realiza um exercício, o sistema nervoso ainda está aprendendo a coordenar aquele movimento. Com a prática, a execução se torna mais eficiente e o corpo se adapta ao estímulo.
Se nada muda depois disso, pode surgir o famoso platô: aquilo que antes exigia bastante esforço já não representa o mesmo desafio.
Trocar tudo também não é a solução
Variar pode ser interessante, mas transformar cada treino em uma sequência completamente diferente também pode atrapalhar.
Uma revisão liderada pelo pesquisador Brad J. Schoenfeld, publicada em 2022, analisou justamente os efeitos da variação de exercícios sobre força e hipertrofia. Os resultados indicam que mudanças sistemáticas podem favorecer adaptações em diferentes regiões musculares, enquanto uma variação excessiva e aleatória pode dificultar a progressão.
Ou seja, existe diferença entre ajustar o treino e simplesmente trocar o treino.
Como saber quando mudar?
Não existe obrigação de montar uma ficha totalmente nova a cada oito ou 12 semanas. O momento de ajustar depende da evolução individual.
Se as cargas e repetições continuam progredindo, a técnica melhora e o treino ainda oferece desafio, não há motivo para trocar apenas porque determinado período passou. Quando a evolução estaciona por um tempo, porém, pode ser interessante rever carga, volume, exercícios, ângulos ou intervalos.
A constância continua sendo importante. O que não deve permanecer igual por anos é o tamanho do desafio oferecido ao corpo.





