Musculação: por que 3×10 e não 1×30? Entenda

O número de séries e repetições influencia diretamente o tipo de adaptação que o músculo terá durante o treino

Por Helena Saigh 29 jun 2026, 20h00
Mulher de pele morena e cabelo cacheado, vestindo top e calça legging rosa, levanta um halter preto com a mão direita e mantém o braço esquerdo estendido para cima, em uma academia com equipamentos de ginástica ao fundo
O número de séries e repetições não é uma regra fixa: ele varia de acordo com o objetivo de cada treino. (freepik/Freepik)
Continua após publicidade
Musculação: por que 3×10 e não 1×30? Entenda Priorizar nos meus resultados Google

Quem frequenta a academia provavelmente já recebeu uma ficha com exercícios prescritos em 3 séries de 10 repetições. Mas por que esse formato é tão comum? Afinal, não seria mais fácil fazer apenas uma série de 30 repetições e terminar o exercício mais rápido?

Apesar de o volume total parecer semelhante, os dois métodos geram respostas completamente diferentes no organismo. Isso acontece porque a combinação entre séries, repetições e carga determina o principal estímulo do treino.

O que acontece no treino 3×10?

O modelo 3×10 costuma utilizar cargas moderadas ou altas, exigindo que o músculo trabalhe próximo da fadiga nas últimas repetições de cada série.

Essa intensidade aumenta a chamada tensão mecânica, considerada um dos principais estímulos para a hipertrofia. Além disso, o esforço faz com que o organismo recrute as fibras musculares do tipo II, também conhecidas como fibras de contração rápida, que apresentam maior potencial de crescimento e ganho de força.

Continua após a publicidade

Por isso, esse formato é amplamente utilizado por quem busca desenvolver massa muscular.

E por que 1×30 é diferente?

Para conseguir realizar 30 repetições consecutivas, normalmente é necessário reduzir bastante a carga utilizada.

Nesse caso, o treino deixa de priorizar a tensão mecânica e passa a gerar um estímulo predominantemente metabólico, voltado para a resistência muscular localizada. Em vez de recrutar intensamente as fibras de contração rápida, o organismo utiliza principalmente fibras mais resistentes à fadiga.

Continua após a publicidade

Isso não significa que o treino seja ruim. Ele apenas atende a outro objetivo, sendo bastante utilizado por atletas de modalidades de endurance, como ciclismo e natação, ou em fases específicas da preparação física.

O que mostram os estudos?

Uma posição oficial do American College of Sports Medicine (ACSM) indica que, para indivíduos que buscam hipertrofia, o mais importante é combinar cargas suficientes para chegar próximo da falha muscular com um volume adequado de treinamento.

Além disso, uma revisão publicada no Journal of Strength and Conditioning Research concluiu que treinos realizados próximos da falha promovem ganhos semelhantes de hipertrofia em diferentes faixas de repetições. No entanto, quando o número de repetições é muito alto, é necessário levar a série até muito perto da exaustão para obter resultados comparáveis.

Continua após a publicidade

Então existe um número ideal de repetições?

Na prática, não. O tradicional 3×10 é apenas uma das estratégias possíveis e costuma oferecer um bom equilíbrio entre carga, volume e intensidade para quem deseja ganhar massa muscular.

A escolha do número de séries e repetições deve sempre considerar o objetivo do treino. Enquanto repetições mais baixas com cargas maiores tendem a favorecer força e hipertrofia, séries mais longas costumam desenvolver principalmente a resistência muscular.

Volume de treino x intensidade: o que realmente define o resultado?

Publicidade

Essa é uma matéria fechada para assinantes.
Se você já é assinante clique aqui para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.