O que significa sentir mais o quadríceps do que o glúteo no agachamento?
Sentir mais a coxa do que os glúteos durante o agachamento pode ter explicação. Entenda o que influencia essa sensação
Ao terminar uma série de agachamentos, é comum perceber uma queimação intensa no quadríceps e quase nenhuma sensação nos glúteos. Isso, porém, não significa que o exercício esteja errado ou que a musculatura posterior não esteja sendo trabalhada.
O agachamento recruta diversos músculos ao mesmo tempo, principalmente quadríceps e glúteos. A diferença é que fatores como a técnica, a anatomia e a biomecânica determinam qual grupo muscular recebe mais demanda durante o movimento.
Por que o quadríceps trabalha mais?
A forma como você executa o agachamento influencia diretamente a distribuição da carga entre joelhos e quadris.
Quando o tronco permanece muito ereto durante toda a descida, a articulação do joelho assume uma parcela maior do esforço. Como consequência, o quadríceps tende a ser mais exigido.
Segundo análises biomecânicas revisadas pelo pesquisador Rafael Escamilla, essa posição aumenta o braço de momento no joelho, tornando o exercício mais dominante para o quadríceps.
A anatomia também faz diferença. Pessoas com fêmures mais longos costumam precisar inclinar o tronco de forma diferente para manter o equilíbrio durante o movimento, o que altera naturalmente a distribuição da carga.
Além disso, uma boa mobilidade de tornozelo permite que os joelhos avancem mais durante a descida, favorecendo ainda mais o trabalho do quadríceps.
Como aumentar a participação dos glúteos?
Se o objetivo é dar mais ênfase aos glúteos, alguns ajustes na execução podem ajudar.
Uma leve inclinação do tronco à frente, mantendo a coluna neutra, aumenta a participação do quadril durante o movimento. De acordo com o pesquisador Bret Contreras, essa estratégia amplia o braço de momento no quadril, colocando o glúteo máximo sob maior tensão ao longo da execução.
A amplitude também faz diferença. Descer até o limite da sua mobilidade, sem perder o alinhamento da coluna, tende a aumentar o recrutamento da musculatura posterior.
Essa relação foi demonstrada em um estudo conduzido por Kubo et al.. Após 10 semanas de treinamento, os pesquisadores observaram que tanto o agachamento parcial quanto o profundo promoveram ganhos semelhantes no quadríceps. A diferença apareceu no glúteo máximo: quem realizou o agachamento profundo apresentou um aumento de aproximadamente 6,7% no volume muscular, enquanto o grupo que treinou com menor amplitude registrou cerca de 2,2%.
Vale a pena incluir outros exercícios?
Sim. Mesmo com ajustes na técnica, o quadríceps continuará sendo um dos principais músculos envolvidos no agachamento.
Por isso, se o objetivo principal for desenvolver os glúteos, pode ser interessante complementar o treino com exercícios mais específicos, como a elevação pélvica, que permitem uma maior sobrecarga dessa musculatura.





