Canetas emagrecedoras ajudam no tratamento do lipedema? O que os estudos já descobriram
Pesquisas investigam os possíveis benefícios desses medicamentos para pessoas com a doença
As canetas emagrecedoras podem ajudar a combater um tipo de gordura que nem sempre responde à perda de peso? Essa é uma das questões que pesquisadores começaram a investigar diante da popularização de medicamentos como semaglutida e tirzepatida.
A dúvida envolve o lipedema, uma doença crônica caracterizada pelo acúmulo desproporcional de gordura, principalmente nas pernas e, em alguns casos, nos braços. Além das alterações no volume dessas regiões, a condição pode provocar dor, inchaço e sensibilidade ao toque, sintomas que nem sempre melhoram apenas com o emagrecimento.
Canetas emagrecedoras ajudam a tratar o lipedema?
Por enquanto, não há comprovação de que esses medicamentos tratem diretamente o lipedema. Isso não significa, porém, que eles não possam trazer benefícios a algumas pacientes.
A semaglutida e a tirzepatida atuam sobre mecanismos hormonais envolvidos no controle do apetite e da glicose, favorecendo a perda de peso. Para pessoas com lipedema associado à obesidade, esse emagrecimento pode reduzir a sobrecarga nas articulações e facilitar a movimentação.
O efeito, entretanto, não deve ser confundido com a eliminação da gordura característica da doença. A possibilidade de benefícios sobre sintomas como dor e inchaço também está sendo investigada.
O que os estudos já descobriram?
Uma pesquisa publicada em 2025 na revista Healthcare acompanhou cinco mulheres com lipedema e resistência à insulina que utilizaram exenatida, medicamento da mesma classe da semaglutida, durante três a seis meses.
Os pesquisadores observaram redução da dor à compressão e da espessura do tecido adiposo em regiões avaliadas por ultrassom. Quatro participantes também perderam peso. Entretanto, o número reduzido de pacientes e a ausência de um grupo de comparação impedem concluir que as melhorias tenham sido provocadas exclusivamente pela medicação.
Outra pesquisa, publicada em 2026 na revista Obesity Pillars, analisou questionários respondidos por 2.719 pessoas com lipedema. Entre aquelas que utilizavam medicamentos que atuam sobre GLP-1 ou GIP, incluindo semaglutida e tirzepatida, foram relatados menores níveis de dor, inchaço e limitações físicas.
Apesar dos resultados, o estudo identificou uma associação, sem demonstrar que os medicamentos foram responsáveis pelas melhorias.
As canetas podem agir sobre a inflamação?
Além dos efeitos sobre o peso, pesquisadores investigam se esses medicamentos poderiam interferir em processos inflamatórios relacionados ao lipedema.
Uma revisão publicada em 2025 no International Journal of Molecular Sciences analisou mecanismos pelos quais a tirzepatida poderia atuar sobre a inflamação e a fibrose, alteração caracterizada pelo acúmulo de tecido fibroso nas regiões afetadas.
Embora os mecanismos investigados sejam relevantes, ainda faltam estudos clínicos que confirmem esses efeitos diretamente em pessoas com lipedema.
O que considerar antes de iniciar o tratamento?
Mesmo quando existe indicação médica para o uso das canetas, elas não substituem os cuidados direcionados ao lipedema.
Segundo orientações do Ministério da Saúde, o acompanhamento pode incluir alimentação adequada, exercícios físicos, terapia compressiva e drenagem linfática, dependendo dos sintomas e das necessidades individuais.
Também é importante considerar os possíveis efeitos adversos dos medicamentos, como náuseas e constipação, além dos cuidados para preservar a massa muscular durante o emagrecimento.
Diante das evidências disponíveis, as canetas podem ter um papel complementar no cuidado de algumas pacientes, mas ainda não são um tratamento específico comprovado para o lipedema. A indicação deve ser avaliada individualmente por um médico.





