Ex-fumantes, atenção! Veja como voltar a se exercitar sem riscos

Retomar a atividade física após parar de fumar exige cuidado e orientação profissional. Entenda os riscos e benefícios para sua saúde.

Por Maraísa Bueno 30 Maio 2026, 22h00 | Atualizado em 1 jun 2026, 14h13
Mulher jovem, cabelo preso, camiseta regata clara e calça legging roxa, fazendo exercício de remada unilateral com halter na academia, apoiando a mão esquerda em um banco e segurando um halter prateado com a mão direita, usando luvas de treino e fone de ouvido no pescoço. Halteres pretos no chão.
Retomadas muito intensas após longo período de tabagismo e sedentarismo escondem riscos importantes, afirmam especialistas. (freepik/Freepik)
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Nos últimos anos, a prática de novos hábitos para melhorar a qualidade de vida cresceu no mundo inteiro. O incentivo à prática de atividades físicas, seja na academia ou ao ar livre, também levou a muitos fumantes a deixar o cigarro de lado e se movimentar.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, em 2025, havia 180 milhões de fumantes a menos no mundo do que no ano 2000. Em termos percentuais, a queda é ainda mais impressionante. Estima-se que no início do milênio um terço da população mundial fumava. Atualmente seriam 20%.

Apesar dos números positivos, começar a treinar depois de parar de fumar requer alguns cuidados.

Uma pesquisa conduzida por pesquisadores da Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF) acompanhou mais de 5 mil adultos por 25 anos e concluiu que ex-fumantes tendem a aumentar gradualmente a prática de atividade física após abandonar o cigarro. 

Esse cuidado está relacionado à intensidade e à frequência de treinos. É preciso, pois o tabagismo deixa marcas pelo corpo, pois reduz a quantidade de oxigênio que chega aos músculos.

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Além disso, os pulmões perdem capacidade, os vasos sanguíneos vão sendo danificados ao longo do tempo, o que dificulta a recuperação depois de qualquer esforço físico. 

Se você parou de fumar e começou a praticar uma atividade física com entusiasmo, pode ter falta de ar intensa, dores no peito, tontura, arritmias e outras complicações cardiovasculares.

Qual a diferença entre academia e Crossfit?

“O cigarro agride diretamente os vasos sanguíneos e compromete muito a circulação ao longo do tempo. Ele aumenta a inflamação, favorece o entupimento das artérias e reduz a oxigenação dos tecidos. Na prática, a pessoa perde condicionamento, sente mais cansaço, falta de ar e tem uma recuperação física pior”, afirma a cirurgiã vascular Aline Lamaita.

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Orientação é extremamente importante

Uma retomada bem orientada, com acompanhamento médico e de um profissional de educação física, é a melhor maneira de continuar uma jornada rumo a uma vida mais saudável.

“O ideal é começar de forma progressiva e, dependendo da idade e dos fatores de risco, fazer uma avaliação médica antes de entrar em exercícios de alta intensidade”, afirma Lamaita. “Num primeiro momento, exercícios aeróbicos de baixa a moderada intensidade são os mais indicados. Caminhada, bicicleta e natação ajudam o sistema pulmonar a se readaptar sem sobrecarga”, diz.

A musculação também pode e deve entrar na rotina desde cedo, com acompanhamento adequado. Segundo o treinador Lucas Florêncio, da Smart Fit, combinar aeróbico com treino de força é especialmente estratégico nessa fase.

“A musculação ajuda a preservar a massa muscular e manter o metabolismo ativo, enquanto os exercícios aeróbicos contribuem para a melhora da capacidade cardiorrespiratória“, diz.

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Musculação: aliada no emagrecimento

Uma das principais preocupações de quem consegue abandonar o vício no cigarro é engordar, já que a retirada da nicotina aumenta o apetite e reduz temporariamente o gasto energético. A musculação também pode ser uma aliada no combate ao ganho de peso.

“O aumento da massa muscular contribui para elevar o gasto energético diário e ajuda no controle da composição corporal”, afirma Florêncio.

A atividade física também é aliada para enfrentar sintomas de abstinência. O exercício estimula a liberação de endorfina, serotonina e dopamina, neurotransmissores associados ao bem-estar, o que ajuda a reduzir a ansiedade, estresse e a fissura pelo cigarro.

“Isso ajuda muito porque melhora não só o corpo, mas também o comportamento e a saúde mental durante esse processo. O exercício ajuda a controlar a ansiedade, reduz estresse, melhora o sono e ainda diminui aquela sensação de abstinência que muitos pacientes sentem ao parar de fumar”, afirma a médica.

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É preciso estar atento ao eventual surgimento de alguns sintomas: falta de ar excessiva, tontura, dor no peito, chiado respiratório ou recuperação muito lenta após o esforço. Nesses casos, a orientação é interromper a atividade e procurar um médico imediatamente.

“O mais importante é respeitar o corpo nesse retorno e não tentar compensar anos de tabagismo de uma vez só”, afirma Lamaita.

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