O que você precisa saber antes de usar remédios para dor pós-treino
Aliviar a dor rápido nem sempre é a melhor estratégia para o corpo se recuperar e evoluir
A dor muscular após o exercício é comum, especialmente quando há aumento de carga ou estímulos novos. Conhecida como dor muscular tardia, ela costuma surgir entre 24 e 72 horas depois do treino e está ligada a microlesões nas fibras musculares. Apesar do desconforto, esse processo faz parte da adaptação do corpo ao exercício.
O problema é que o uso frequente de analgésicos e anti-inflamatórios para “aguentar” a dor pode interferir justamente nessa adaptação.
A inflamação também é necessária
Durante o treino, o corpo ativa uma resposta inflamatória controlada que estimula a recuperação e o fortalecimento muscular. Um estudo publicado no Journal of Physiology mostrou que essa inflamação é fundamental para a síntese de proteínas musculares, etapa-chave para ganhos de força e resistência.
Pesquisas brasileiras reforçam essa ideia. Um estudo da Universidade de São Paulo (USP), publicado na Revista Brasileira de Medicina do Esporte, observou que o uso recorrente de anti-inflamatórios após o treino reduziu marcadores relacionados à adaptação muscular em praticantes de musculação.
O efeito dos anti-inflamatórios no progresso
Anti-inflamatórios não esteroides, como ibuprofeno e diclofenaco, atuam bloqueando enzimas envolvidas nesse processo inflamatório. Uma revisão publicada no Medicine & Science in Sports & Exercise indicou que o uso frequente desses medicamentos pode reduzir ganhos de força e hipertrofia ao longo do tempo.
Além disso, pesquisadores da Unifesp alertam que o uso indiscriminado pode mascarar sinais de sobrecarga, aumentando o risco de lesões musculares e articulares.
Analgésicos também exigem cuidado
Mesmo analgésicos comuns, como o paracetamol, merecem atenção. Embora não atuem diretamente na inflamação, eles reduzem a percepção da dor. Segundo uma revisão do Sports Medicine, isso pode levar à manutenção de cargas excessivas e a uma recuperação inadequada, já que a dor funciona como um sinal de alerta do corpo.
O que fazer no lugar
Em vez de recorrer automaticamente a medicamentos, estratégias como descanso adequado, sono de qualidade, hidratação, alimentação equilibrada e recuperação ativa costumam ser mais eficazes. Estudos da UFMG destacam que esses fatores têm impacto direto na recuperação muscular e na prevenção de lesões.
O que fazer para aliviar dor muscular pós-treino?
A dor do treino não deve ser ignorada, mas também não precisa ser combatida a qualquer custo. Entender o papel dela ajuda a treinar com mais segurança e a evoluir de forma consistente.





