Fazer jejum de muitas horas potencializa o emagrecimento?
De 12 a 24 horas sem comer: entenda até que ponto prolongar o jejum faz diferença para quem busca emagrecer
Jejum de 16, 18, 20 ou até 24 horas. Com protocolos cada vez mais longos circulando nas redes sociais, é fácil pensar que existe uma relação direta: quanto mais tempo sem comer, maior seria o emagrecimento.
Durante o jejum, o organismo realmente passa por mudanças na maneira como obtém energia. Mas será que prolongar esse período traz resultados maiores na balança?
O que acontece com o corpo durante o jejum?
Nas primeiras horas após uma refeição, o organismo utiliza a energia disponível e recorre aos estoques de glicogênio, especialmente do fígado, para ajudar a manter a glicose sanguínea.
Conforme o período sem alimentação avança, há redução da insulina e aumento da mobilização de ácidos graxos. Assim, a participação da gordura como fonte de energia tende a crescer.
Mas queimar mais gordura durante algumas horas não é o mesmo que perder mais gordura corporal ao longo do tempo. Se a energia economizada durante o jejum for compensada posteriormente pela alimentação, a vantagem para o emagrecimento pode desaparecer.
Mais horas significam mais emagrecimento?
Um ensaio clínico publicado em 2022 no New England Journal of Medicine ajuda a responder essa questão. Durante 12 meses, pesquisadores compararam uma dieta com restrição calórica associada a uma janela alimentar de oito horas com uma dieta baseada apenas na restrição calórica.
Ao final do período, restringir também o horário das refeições não proporcionou uma perda de peso significativamente maior. Uma revisão publicada no BMJ que comparou diferentes estratégias de jejum intermitente com restrição calórica contínua também encontrou, de maneira geral, diferenças pequenas entre as abordagens.
Ou seja, aumentar progressivamente o número de horas em jejum não cria necessariamente uma vantagem proporcional para o emagrecimento.
E jejuns muito prolongados?
Quanto menor a janela disponível para comer, mais difícil pode ser atender adequadamente às necessidades de energia e nutrientes de algumas pessoas. Para quem treina, por exemplo, concentrar toda a ingestão de proteínas em poucas horas também pode dificultar sua distribuição ao longo do dia.
Revisões publicadas na Frontiers in Nutrition discutem justamente a relação entre jejum, ingestão proteica e preservação da massa muscular, especialmente quando existe treinamento envolvido.
Além disso, algumas pessoas podem apresentar fome intensa, queda no rendimento durante os exercícios ou acabar compensando o período sem comer com refeições maiores posteriormente.
Então, vale a pena fazer jejum?
O jejum intermitente pode funcionar como uma estratégia de organização alimentar para algumas pessoas, mas fazer jejuns cada vez mais longos não significa potencializar o emagrecimento.
Quando ele facilita uma redução sustentável da ingestão energética, pode contribuir para a perda de peso. Mas outras estratégias alimentares capazes de produzir um déficit calórico semelhante também podem alcançar resultados comparáveis.
E quanto mais restritivo for o protocolo, maior a importância de acompanhamento profissional. O jejum não é adequado para todas as pessoas e períodos prolongados sem alimentação não devem ser adotados apenas com a ideia de acelerar os resultados.





