Correr melhor começa pela técnica: os pilares do Método Murer para evoluir na corrida

Em entrevista à Boa Forma, Fabiana Murer, atleta olímpica e campeã mundial do salto com vara, apresenta sua abordagem para uma melhor performance na corrida

Por Helena Saigh 10 Maio 2026, 16h00
Mulher de cabelos castanhos cacheados sorri, vestindo camiseta azul com logo branco e relógio esportivo prateado no pulso esquerdo, braços cruzados sobre fundo cinza
Para Fabiana, ajustar a técnica e manter a constância são passos-chave para evolução. (Fabiana Murer/Arquivo pessoal)
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Correr parece simples. Basta colocar um pé na frente do outro e sair, certo? Para Fabiana Murer, não exatamente. 

Ex- atleta olímpica, e campeã mundial do salto com vara, formada em fisioterapia e especialista em aparelho locomotor no esporte, ela transformou sua experiência no alto rendimento em uma metodologia voltada para corredores: o Método Murer de Prevenção e Treinamento. 

A proposta é ensinar o corpo a se movimentar melhor, com mais eficiência, amplitude e menor risco de sobrecarga durante a corrida.

Técnica antes de volume

Segundo Fabiana, um dos grandes erros de quem corre é acreditar que evolução vem apenas de aumentar distância, ritmo ou intensidade. No método, a técnica entra como ponto de partida.

“Às vezes, a pessoa acha que precisa correr mais, mas antes ela precisa aprender a correr melhor. Quando a mecânica não está boa, o corpo gasta mais energia e sofre mais impacto”, explica.

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Na prática, isso aparece em detalhes que muitos corredores ignoram, como postura, movimentação dos braços, posição do pé e controle do corpo durante a passada. 

O erro da pisada pesada

Um dos pontos que mais chamam atenção no método é a forma como o pé toca o chão. Fabiana observa que muitos corredores fazem uma pisada “chapada”, pesada, como se o pé entrasse reto demais no solo, gerando barulho e impacto.

“Quando a pessoa corre fazendo muito barulho, isso já mostra que alguma coisa na mecânica pode estar errada. A corrida precisa ser mais leve, mais econômica.”, avalia.

Esse ajuste não é apenas estético. Uma pisada mais controlada ajuda a reduzir sobrecargas e melhora a eficiência do movimento, algo essencial tanto para performance quanto para prevenção de lesões.

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Constância também é treino

Outro pilar do Método Murer é a constância. Fabiana lembra que, no alto rendimento, passou períodos repetindo a mesma rotina de treino por semanas, justamente para consolidar o movimento.

“Tem gente que quer mudar o treino toda hora, mas o corpo precisa de repetição para aprender. Eu já fiquei três semanas fazendo praticamente a mesma rotina, porque era aquilo que precisava ser ajustado naquele momento”, conta.

A lógica é simples: repetir não significa treinar no automático. Significa dar tempo para o corpo absorver a técnica, corrigir padrões e evoluir com segurança.

Prevenção antes da dor

No Método Murer, prevenir lesões não é algo que começa quando aparece uma dor. É parte do treino desde o início.

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“O cuidado principal é não esperar machucar para corrigir. Se a pessoa corre sempre com uma mecânica ruim, uma hora o corpo vai reclamar”, afirma.

Por isso, o método trabalha força, postura, mobilidade, coordenação e educativos de corrida. A ideia é preparar o corpo para suportar melhor o impacto repetido da modalidade.

O lado mental da corrida

Apesar da base técnica, Fabiana também reforça que o mental tem papel importante. Com alunos desmotivados ou inseguros, ela costuma compartilhar experiências da própria carreira, incluindo lesões, frustrações e momentos difíceis.

“Eu gosto de mostrar que eu também passei por isso. Não é porque eu fui atleta de alto rendimento que tudo foi fácil. Todo mundo tem medo, insegurança, fase ruim. O importante é entender que isso faz parte do processo”, diz.

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Essa troca ajuda a aproximar o método da realidade de quem corre, seja iniciante ou atleta experiente.

Correr precisa fazer sentido

Entre as orientações mais importantes de Fabiana, uma foge da técnica e entra na relação com o esporte: correr precisa ser prazeroso.

“Tem que ser feliz correndo. Não adianta correr porque alguém mandou, porque virou obrigação ou porque você acha que precisa. A pessoa precisa encontrar um motivo dela”, afirma.

No fim, o Método Murer propõe uma mudança de olhar: correr melhor não é necessariamente correr mais. É correr com mais consciência, mais leveza e mais constância.

A corrida é realmente para todo mundo?

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