O papel do cérebro na musculação: um gasto energético que surpreende

Seu cérebro é peça-chave no treino de força: ele coordena, gasta energia e age como "freio de segurança" contra o excesso.

Por Juliany Rodrigues 20 ago 2026, 14h00 | Atualizado em 24 ago 2026, 14h59
Mulher jovem de perfil, com cabelo castanho preso em rabo de cavalo, vestindo camiseta branca, levantando um halter preto com a mão direita, em um ambiente iluminado por luz natural. Ela tem uma expressão de esforço e satisfação, com a boca aberta e os olhos semicerrados. No pulso esquerdo, usa um relógio inteligente branco. O fundo é desfocado, com uma janela grande e elementos escuros
Cérebro gasta energia durante musculação? | (Magnific/Magnific)
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Durante uma sessão de treino de força, estruturas como músculos, coração e pulmões tendem a chamar mais atenção, afinal, são eles que “sentem” o esforço físico. No entanto, o que muitas pessoas não sabem é que o cérebro também não fica de fora dessa conta energética.

Cérebro gasta energia durante musculação?

Quando você está fazendo musculação, o seu cérebro entra em cena e desempenha um papel essencial na coordenação dos movimentos, na concentração, no equilíbrio, no processamento da técnica dos exercícios e no envio de impulsos elétricos para a contração muscular e a força.

Mesmo em repouso, o cérebro já demanda bastante energia — ele representa cerca de 2% do peso corporal, porém consome entre 15% e 20% de todo o combustível energético do organismo. E, durante a malhação, quando há uma maior exigência das funções do órgão, esse gasto tende a se intensificar ainda mais — embora de forma localizada, e não necessariamente na mesma proporção do aumento que ocorre nos músculos.

O cérebro percebe o esforço antes dos músculos

Pesquisadores da Universidade de Zurique observaram esse fenômeno em um estudo publicado no European Journal of Neuroscience.

Durante testes em bicicletas ergométricas, eles identificaram que, conforme a exaustão aumentava, a comunicação entre o córtex insular, responsável por interpretar sinais internos do organismo, e o córtex motor, que envia comandos aos músculos, tornava-se mais intensa.

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Segundo os autores, o córtex insular passa a enviar sinais de alerta que reduzem gradualmente os estímulos motores, protegendo o organismo contra um esforço considerado excessivo.

O cérebro funciona como um “freio de segurança”

Uma das teorias mais conhecidas sobre o tema é o Modelo do Governador Central, proposto pelo pesquisador sul-africano Tim Noakes.

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Segundo essa hipótese, o cérebro monitora constantemente informações como temperatura corporal, disponibilidade de oxigênio, frequência cardíaca e sinais enviados pelos músculos.

Antes que o organismo atinja níveis perigosos de esforço, ele reduz o recrutamento de fibras musculares, aumentando a sensação de cansaço para proteger o corpo.

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Na prática, isso significa que muitas vezes você desacelera não porque os músculos “acabaram”, mas porque o cérebro interpreta que é hora de diminuir o ritmo.

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