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Insônia pós-menopausa: 1 em cada 5 mulheres relata dificuldades para dormir

Obesidade pode ser um dos fatores desse distúrbio

Por Maraísa Bueno
25 nov 2025, 10h00 • Atualizado em 8 dez 2025, 13h28
Estudos mostram que a qualidade do sono é um dos fatores que mais prejudicam as mulheres no pós-menopausa
Estudos mostram que a qualidade do sono é um dos fatores que mais prejudicam as mulheres no pós-menopausa  (freepik/Freepik)
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  • São diversas as mudanças no corpo e mente da mulher na menopausa. Entre essas mudanças, a qualidade do sono pode ser afetada. A ideia de dormir 8 horas por dia parece um sonho inatingível para muitas mulheres no pós-menopausa.

    Segundo um estudo latino-americano publicado em agosto no periódico Climacteric, mostra que 20,6% das mulheres nessa fase da vida relataram distúrbios do sono.

    “Dentre esses distúrbios, particularmente a insônia é altamente prevalente e impacta significativamente a qualidade de vida de mulheres na menopausa. Os distúrbios do sono estão frequentemente associados às flutuações hormonais e aos sintomas vasomotores (como ondas de calor e suores noturnos) associados à menopausa. Além disso, uso de psicotrópicos, obesidade, outras comorbidades e a não realização de terapia hormonal também têm relação com o problema”, explica a Dra. Ana Paula Fabricio, ginecologista, com Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia (TEGO).

    A profissional completa que esse assunto é um problema que impacta não só na qualidade de vida, na medida em que deixa a paciente menos produtiva, mais sonolenta e cansada durante o dia, mas que também é associado a um risco aumentado de problemas cardiovasculares e mortalidade.

    O estudo coletou dados sociodemográficos e clínicos de mulheres latino-americanas e avaliou a presença de distúrbios do sono. O trabalho incluiu 1185 mulheres na pós-menopausa com idade média de 56,9, índice de massa corporal (IMC) de 26,5kg/m² e 8,6 anos desde a menopausa.

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    “No geral, uma a cada 5 (20,6%) relata distúrbios do sono. Em comparação com aquelas sem problemas de sono, as mulheres afetadas tiveram maior duração na pós-menopausa, IMC mais alto, eram mais frequentemente fumantes e donas de casa e tinham mais comorbidades. Elas também eram menos propensas a ter um parceiro ou ter usado terapia hormonal na menopausa. Os distúrbios do sono também aumentaram proporcionalmente com a gravidade de sintomas vasomotores, como ondas de calor e suores noturnos”, explica a médica.

    Queda de hormônios tem relação com a falta de sono

    Segundo o otorrinolaringologista Dr. Paulo Reis, especialista em Medicina do Sono e coordenador científico do grupo Bonviv Brasil, durante a menopausa, a queda nos níveis de estrogênio e progesterona afeta diretamente o sono, aumentando o risco de insônia, roncos e apneia do sono.

    “A progesterona tem efeito relaxante, e sua redução pode aumentar a dificuldade para adormecer. Já a diminuição do estrogênio interfere na regulação da temperatura corporal e do humor, favorecendo sintomas como os “fogachos”, ondas de calor intensas que despertam a mulher várias vezes durante a noite. Além do mais, após a menopausa a mulher aumenta, em muito, o risco de apneia do sono que afeta diretamente a qualidade do sono, levando a noites fragmentadas e menos restauradoras. Muitas mulheres relatam acordar cansadas, mesmo após várias horas de sono, porque não conseguem atingir as fases mais profundas e reparadoras do descanso”, esclarece o Dr. Paulo Reis.

    Dra. Ana Paula complementa que, em relação ao estudo citado acima, é importante contextualizar que em muitos países latino-americanos, o uso de terapia hormonal é relativamente baixo em comparação com outras regiões, e as mulheres frequentemente recorrem a terapias alternativas, como remédios fitoterápicos. E sabemos que a terapia hormonal pode melhorar a questão dos sintomas vasomotores e também melhorar a qualidade do sono.

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    Além da reposição hormonal

    A ginecologista explica que, além da reposição hormonal, abordagens como terapia cognitivo-comportamental para insônia e modificações no estilo de vida também são fundamentais.

    Além disso, Dr. Paulo explica que a terapia hormonal pode ajudar a reduzir os sintomas que atrapalham o sono, especialmente os fogachos e a irritabilidade. Porém, ela não é suficiente sozinha. “O sono depende também de hábitos diários, da saúde emocional e da presença ou não de distúrbios associados, como a apneia do sono, que se torna mais comum nessa fase da vida”, explica.

    Estratégias importantes para combater a insônia incluem:

    • estabelecer uma rotina, com horários regulares para dormir e acordar;
    • criar um ambiente propício (quarto escuro, silencioso e fresco); evitar cafeína e álcool; praticar exercícios físicos (mas evitar fazer perto da hora de dormir);
    • adotar técnicas de relaxamento como meditação e yoga.
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    “O tratamento ideal é integrado: a reposição hormonal pode ser uma aliada importante, mas precisa caminhar junto com práticas de higiene do sono, avaliação médica individualizada e, em alguns casos, acompanhamento especializado para identificar outras causas de insônia”, completa o Dr. Paulo Reis. “Se a insônia persistir e interferir na qualidade de vida, é fundamental buscar ajuda médica de um ginecologista ou médico do sono para identificar a causa e receber o tratamento adequado”, finaliza a Dra. Ana.

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