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Quando o corpo está, mas a mente não: reflexões sobre o fim de ano

Por Juliany Rodrigues 14 dez 2025, 16h00 | Atualizado em 20 jan 2026, 13h47
fim de ano mindfulness
Mindfulness na Correria de Fim de Ano: Quando o Corpo Está, Mas a Mente Não | (freepik/Freepik)
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Fim de ano costuma ser sinônimo de festividades, encontros, descanso e celebração. Mas quando observamos com mais cuidado, e a neurociência confirma, percebemos que grande parte desses momentos teoricamente “felizes” acontecem no piloto automático.

O corpo participa, mas a mente está ocupada em outro lugar: preocupada com pendências, relembrando o que não foi feito ou antecipando o próximo compromisso.

Vivemos a virada do ano como vivemos os dias comuns: correndo. E isso tem um preço: físico, emocional e até relacional.

O piloto automático: de mecanismo evolutivo a armadilha moderna

Nosso cérebro adora automatizar tarefas. É eficiente, economiza energia e nos permite executar rotinas complexas com pouco esforço. Evolutivamente, isso foi um presente.

Mas na vida contemporânea, especialmente no fim do ano, o piloto automático se torna um ladrão silencioso de presença.

Você está na ceia de Natal, mas pensando no trabalho. Está viajando, mas preocupado com a volta. Está abrindo presentes, mas mentalmente revisando metas não cumpridas. Está com amigos, mas a cabeça lista o que falta fazer amanhã.

A neurociência chama isso de mind-wandering, o “vagarear mental”, e sabemos hoje que essa dispersão constante está associada ao aumento da ansiedade, baixa satisfação e maior sensação de esgotamento.

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Em outras palavras: mesmo quando estamos vivendo algo bom, a mente não deixa a experiência entrar.

Quando até o lazer vira automático

O fim de ano deveria ser nosso respiro. Mas acabamos reproduzindo padrões de aceleração até nos momentos de descanso.

Filmes assistidos sem realmente perceber a história. Passeios belíssimos registrados em fotos, mas não vividos. Conversas com a família onde o corpo sorri, mas o pensamento está em outro lugar. Atividades prazerosas feitas como “tarefa”: relaxar vira obrigação.

Isso gera um fenômeno curioso e cada vez mais comum: exaustão em momentos que deveriam renovar nossa energia.

Não é que falte felicidade. É que falta presença para senti-la.

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O corpo está, a mente não está. E isso nos adoece

Quando estamos fisicamente em um local, mas mentalmente em outro, o cérebro interpreta isso como uma micro-ameaça constante. A amígdala fica mais ativa, a respiração se encurta, o cortisol sobe, o corpo entra em estado de alerta.

Você está sentado à mesa do Natal, mas internamente seu sistema nervoso está se preparando para “resolver algo”.

A dissociação entre corpo e mente:

  • Aumenta a ansiedade;
  • Diminui a qualidade das relações;
  • Reduz a sensação de satisfação;
  • Cria tensão muscular e fadiga;
  • Rouba a capacidade de apreciar o momento;

E o mais irônico? Mesmo sem desfrutar, a mente continua exausta, porque o descanso foi vivido no automático.

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Mindfulness como antídoto: o treino de voltar para o agora

Mindfulness não é esvaziar a mente, nem “virar zen” nas festas de família. É simplesmente lembrar de voltar. É notar quando a mente fugiu. É trazer o corpo de volta para o corpo. É sentir a experiência antes de interpretá-la.

Práticas simples e cientificamente eficazes que podem transformar completamente a forma como vivemos o fim de ano:

1. Pausas de 30 segundos

Respire consciente antes de entrar em um encontro, antes de abrir presentes, antes de comer.

2. Ato de sentir

Toque o copo na mão, perceba o cheiro da comida, o som das risadas. Isso literalmente “ancora” o cérebro no presente.

3. Atenção ao corpo

Ao notar a mente fugindo, leve atenção aos pés no chão ou aos ombros relaxando. O corpo é o maior portal de retorno.

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4. Micro-regulações emocionais

Se perceber que está preocupado, diga internamente: “Eu posso lidar com isso depois. Agora estou aqui.”

O que realmente celebramos

No fim das contas, momentos especiais não são especiais por causa da agenda ou do calendário, e sim pela qualidade da presença que levamos a eles.

Não precisamos de um ano novo para recomeçar. Só precisamos de um momento presente para sentir.

Este fim de ano, talvez o maior presente que você possa oferecer, a si e aos outros, seja simplesmente estar. Inteira. Desacelerada. Consciente.

Porque felicidade não se acumula, se percebe. E só pode ser percebida no agora.

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