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Mindfulness no fim de ano: quando o corpo está, mas a mente não

Por Juliany Rodrigues
14 dez 2025, 16h00 •
fim de ano mindfulness
Mindfulness na Correria de Fim de Ano: Quando o Corpo Está, Mas a Mente Não | (freepik/Freepik)
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  • Fim de ano costuma ser sinônimo de festividades, encontros, descanso e celebração. Mas quando observamos com mais cuidado, e a neurociência confirma, percebemos que grande parte desses momentos teoricamente “felizes” acontecem no piloto automático.

    O corpo participa, mas a mente está ocupada em outro lugar: preocupada com pendências, relembrando o que não foi feito ou antecipando o próximo compromisso.

    Vivemos a virada do ano como vivemos os dias comuns: correndo. E isso tem um preço: físico, emocional e até relacional.

    O piloto automático: de mecanismo evolutivo a armadilha moderna

    Nosso cérebro adora automatizar tarefas. É eficiente, economiza energia e nos permite executar rotinas complexas com pouco esforço. Evolutivamente, isso foi um presente.

    Mas na vida contemporânea, especialmente no fim do ano, o piloto automático se torna um ladrão silencioso de presença.

    Você está na ceia de Natal, mas pensando no trabalho. Está viajando, mas preocupado com a volta. Está abrindo presentes, mas mentalmente revisando metas não cumpridas. Está com amigos, mas a cabeça lista o que falta fazer amanhã.

    A neurociência chama isso de mind-wandering, o “vagarear mental”, e sabemos hoje que essa dispersão constante está associada ao aumento da ansiedade, baixa satisfação e maior sensação de esgotamento.

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    Em outras palavras: mesmo quando estamos vivendo algo bom, a mente não deixa a experiência entrar.

    Quando até o lazer vira automático

    O fim de ano deveria ser nosso respiro. Mas acabamos reproduzindo padrões de aceleração até nos momentos de descanso.

    Filmes assistidos sem realmente perceber a história. Passeios belíssimos registrados em fotos, mas não vividos. Conversas com a família onde o corpo sorri, mas o pensamento está em outro lugar. Atividades prazerosas feitas como “tarefa”: relaxar vira obrigação.

    Isso gera um fenômeno curioso e cada vez mais comum: exaustão em momentos que deveriam renovar nossa energia.

    Não é que falte felicidade. É que falta presença para senti-la.

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    O corpo está, a mente não está. E isso nos adoece

    Quando estamos fisicamente em um local, mas mentalmente em outro, o cérebro interpreta isso como uma micro-ameaça constante. A amígdala fica mais ativa, a respiração se encurta, o cortisol sobe, o corpo entra em estado de alerta.

    Você está sentado à mesa do Natal, mas internamente seu sistema nervoso está se preparando para “resolver algo”.

    A dissociação entre corpo e mente:

    • Aumenta a ansiedade;
    • Diminui a qualidade das relações;
    • Reduz a sensação de satisfação;
    • Cria tensão muscular e fadiga;
    • Rouba a capacidade de apreciar o momento;

    E o mais irônico? Mesmo sem desfrutar, a mente continua exausta, porque o descanso foi vivido no automático.

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    Mindfulness como antídoto: o treino de voltar para o agora

    Mindfulness não é esvaziar a mente, nem “virar zen” nas festas de família. É simplesmente lembrar de voltar. É notar quando a mente fugiu. É trazer o corpo de volta para o corpo. É sentir a experiência antes de interpretá-la.

    Práticas simples e cientificamente eficazes que podem transformar completamente a forma como vivemos o fim de ano:

    1. Pausas de 30 segundos

    Respire consciente antes de entrar em um encontro, antes de abrir presentes, antes de comer.

    2. Ato de sentir

    Toque o copo na mão, perceba o cheiro da comida, o som das risadas. Isso literalmente “ancora” o cérebro no presente.

    3. Atenção ao corpo

    Ao notar a mente fugindo, leve atenção aos pés no chão ou aos ombros relaxando. O corpo é o maior portal de retorno.

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    4. Micro-regulações emocionais

    Se perceber que está preocupado, diga internamente: “Eu posso lidar com isso depois. Agora estou aqui.”

    O que realmente celebramos

    No fim das contas, momentos especiais não são especiais por causa da agenda ou do calendário, e sim pela qualidade da presença que levamos a eles.

    Não precisamos de um ano novo para recomeçar. Só precisamos de um momento presente para sentir.

    Este fim de ano, talvez o maior presente que você possa oferecer, a si e aos outros, seja simplesmente estar. Inteira. Desacelerada. Consciente.

    Porque felicidade não se acumula, se percebe. E só pode ser percebida no agora.

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