Semaglutida ou tirzepatida qual emagrece mais?
Os estudos comparativos mais recentes mostram uma perda de peso média maior com a tirzepatida em comparação com a semaglutida, embora os resultados individuais possam variar.
Isso acontece porque a tirzepatida atua simultaneamente nas vias do GLP-1 e do GIP. Em estudos clínicos, essa combinação apresentou uma redução de peso corporal superior à observada com semaglutida em determinadas populações.
É importante, porém, considerar que o resultado de um estudo clínico representa uma média populacional, e não uma previsão para um paciente específico. Na prática, também precisam ser avaliados adesão, alimentação, atividade física, sono, composição corporal, efeitos adversos e presença de outras doenças.
O objetivo do tratamento não deve ser simplesmente atingir o menor número possível na balança, mas promover uma perda de gordura clinicamente relevante e sustentável, preservando o máximo possível de massa muscular e melhorando a saúde metabólica.
Não existe uma regra simples dizendo que semaglutida é para um tipo de paciente e tirzepatida para outro. A indicação precisa ser individualizada.
O que deve ser levado em consideração?
Entre os fatores que devem ser considerados estão o grau de excesso de peso ou obesidade, presença de diabetes tipo 2 ou outras alterações metabólicas, histórico clínico, medicamentos em uso, resposta a tratamentos anteriores, efeitos colaterais, contraindicações, objetivo do tratamento e preferência do paciente.
Também é importante considerar o acesso e o custo, porque um tratamento só funciona adequadamente se o paciente consegue mantê-lo de forma segura e acompanhada.
A medicação é uma ferramenta dentro de um tratamento e não substitui mudanças de hábitos. O acompanhamento deve ser baseado em ciência metabólica, protocolos clínicos e uma abordagem personalizada, buscando resultados sustentáveis.
Por isso, a escolha da medicação não deve considerar apenas a promessa de “perder mais peso“. É necessário avaliar qual estratégia oferece, para aquele paciente em específico.
Tem um melhor que o outro?
Não se trata simplesmente de definir uma medicação como “mais forte” ou “mais fraca”. São mecanismos diferentes, e a resposta pode variar de uma pessoa para outra.
Rafael Suhett, médico endocrinologista





