Carboidratos à noite: eles ajudam no jejum matinal ou são apenas mito?
A composição da última refeição pode mudar a saciedade ao acordar, mas qual é o impacto disso sobre o jejum do dia seguinte?
Quem pratica jejum intermitente pode pensar que caprichar nos carboidratos no jantar é uma maneira de criar uma “reserva de energia” e, assim, passar a manhã seguinte sem comer com mais facilidade. A lógica parece fazer sentido: comer mais à noite para sentir menos fome no dia seguinte.
Mas o organismo não funciona exatamente como uma bateria que precisa ser carregada antes de um período sem comida.
O que acontece com o carboidrato consumido à noite?
Depois de uma refeição, os carboidratos são digeridos e transformados principalmente em glicose, que pode ser utilizada como fonte de energia ou armazenada na forma de glicogênio, sobretudo no fígado e nos músculos.
Isso acontece independentemente de o alimento ser consumido pela manhã ou à noite. Comer carboidratos no jantar também não significa que eles serão automaticamente transformados em gordura enquanto você dorme.
Segundo Mayara Stankevicius, nutricionista da Vitamine-se, alguns carboidratos participam de processos relacionados à produção de serotonina e, quando consumidos em quantidades adequadas e dentro de uma alimentação equilibrada, podem fazer parte da refeição noturna sem prejudicar o sono.
O tipo de carboidrato faz diferença
Mais do que simplesmente aumentar a quantidade no jantar, é importante observar quais alimentos compõem a refeição.
De acordo com Mayara, carboidratos complexos, por apresentarem fibras, são digeridos mais lentamente e podem prolongar a sensação de saciedade. Aveia, batata-doce, arroz integral e outros alimentos desse grupo podem, portanto, contribuir para uma refeição mais saciante.
Isso pode fazer com que algumas pessoas sintam menos fome na manhã seguinte, mas não significa que esses alimentos potencializem os efeitos do jejum.
A nutricionista também explica que, durante a noite, o organismo passa por mudanças fisiológicas relacionadas à preparação para o sono. Por isso, refeições muito volumosas ou com excesso de alimentos gordurosos e carboidratos refinados podem tornar a digestão desconfortável e prejudicar o descanso.
A estratégia funciona?
Não existe uma vantagem específica em comer mais carboidratos à noite apenas para fazer jejum na manhã seguinte. Uma refeição equilibrada e saciante pode tornar o período sem comer mais confortável, mas não faz o organismo queimar mais gordura nem potencializa o jejum por si só.
Quando o objetivo é emagrecimento, o resultado depende principalmente do balanço energético ao longo do tempo, além da qualidade da alimentação e da capacidade de manter a estratégia. Compensar o jejum com uma ingestão excessiva de calorias na noite anterior pode, inclusive, eliminar o déficit energético que se pretendia alcançar.
Por isso, a última refeição pode ser pensada para oferecer saciedade e conforto durante a manhã seguinte, e não como uma forma de “preparar” metabolicamente o corpo para o jejum.





