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Hipertrofia em qualquer fase da vida: é possível mesmo com a idade?

Entenda por que a faixa dos 18 aos 25 anos é considerada um período favorável para esse processo

Por Maraísa Bueno
21 jan 2026, 12h00 • Atualizado em 22 jan 2026, 14h56
Idade ajuda ou atrapalha no ganho de massa muscular? Profissional responde
Idade ajuda ou atrapalha no ganho de massa muscular? Profissional responde (freepik/Freepik)
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  • A hipertrofia é o processo de ganho de massa muscular, resultando em músculos mais definidos e maiores. O processo requer disciplina nos treinos e também na alimentação. Especialistas frequentemente recebem a seguinte dúvida relacionado ao ganho de massa: a idade realmente facilita ou não a hipertrofia? A resposta é sim, mas com diversas ressalvas.

    Segundo Yago Fernandes, médico atuante em Endocrinologia, a idade influencia diretamente o processo de hipertrofia, ainda que não seja um fator determinante isolado. “Com o passar dos anos, ocorre uma redução gradual de hormônios anabólicos, da taxa de recuperação muscular e da síntese proteica”, explica o médico.

    A partir dos 35 anos, o organismo tende a entrar em um processo natural de catabolismo, caracterizado pela perda progressiva de massa muscular. Isso, no entanto, não significa que ganhar músculo se torne impossível. “Treinamento resistido regular, nutrição adequada e um estilo de vida saudável conseguem frear e até reverter a perda muscular em qualquer idade. Ou seja: pessoas bem orientadas podem hipertrofiar em diferentes fases da vida”, conclui Fernandes.

    Qual a faixa etária mais favorável?

    A faixa etária entre 18 e 25 anos é frequentemente considerada a mais favorável para a hipertrofia por um motivo claro: o organismo está em seu auge hormonal e metabólico. Nesse período, os níveis de testosterona, hormônio do crescimento são mais elevados, favorecendo a construção muscular.

    Além disso, há maior capacidade de recuperação após os treinos, melhor resposta ao estímulo de força e menor risco de lesões. “Isso contribui para ganhos mais rápidos e consistentes, desde que haja constância e método”, ressalta o Endocrinologista.

    Não é sorte, é disciplina e constância

    De acordo com Fernandes, um porte físico mais destacado em pessoas jovens costuma ser resultado da combinação de vários fatores, e não de um único elemento isolado. Entre eles estão o início precoce da prática esportiva, uma rotina de treinos bem estruturada, alimentação equilibrada, sono de qualidade e, sim, alguma predisposição genética.

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    Quais os melhores suplementos para hipertrofia?

    “Na maioria das vezes, não é sorte. É constância e hábitos bem estabelecidos ao longo do tempo. No caso do  estudante de veterinária de Goiás, Paulo Augusto, que atualmente está no elenco do reality show BBB, o que o público vê hoje é reflexo de uma construção contínua, algo comum em jovens que respondem bem ao estímulo físico e mantêm regularidade nos cuidados com o corpo”, explica.

    Genética ajuda, mas não faz tudo

    Embora a genética tenha papel relevante, ela não é soberana. “A genética define o potencial, mas é a rotina que determina o quanto desse potencial será alcançado”, afirma o endocrinologista.

    Ainda de acordo coma profissional, na prática clínica, o acompanhamento envolve avaliação do histórico familiar, composição corporal, exames hormonais e resposta individual ao treino.

    “Deficiências nutricionais — como vitamina D, B12, ferro — ou alterações hormonais podem limitar o ganho muscular, mesmo em pessoas jovens e geneticamente favorecidas. Por isso, o papel do médico não é intervir excessivamente, mas não atrapalhar o processo natural do organismo, atuando apenas quando necessário e ajudando a prevenir lesões. O trabalho integrado com educadores físicos e nutricionistas também é fundamental para evitar excessos, como o overtraining, comum em quem apresenta resposta rápida aos estímulos”, ressalta o host do podcast DocShow.

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    O descanso também está no processo

    Para quem está em processo de ganho de massa muscular, com certeza já se fez a seguinte pergunta: em quanto tempo é possível notar que os músculos estão fortalecidos, ou seja, que atingiram a tão desejada hipertrofia muscular?

    O treino intenso é apenas uma parte da equação quando o assunto é hipertrofia. O verdadeiro crescimento muscular acontece fora da academia, durante os períodos de descanso”, pontua Eduardo Netto, diretor técnico da Bodytech Company.

    Netto explica a seguir por que respeitar esses intervalos é essencial para garantir resultados consistentes e evitar riscos à saúde:

    Quantas horas (ou dias) de descanso?

    De acordo com recomendações da National Academy of Sports Medicine (NASM, 2022) e do American College of Sports Medicine (ACSM, 2022), cada grupo muscular deve descansar entre 48 e 72 horas antes de ser novamente estimulado.

    Isso significa que, se você treinou os músculos do peito na segunda-feira, o ideal é só retomar os estímulos na quinta ou sexta. Essa janela de tempo permite restaurar o glicogênio muscular, reparar tecidos e otimizar a síntese proteica.

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    Divisões inteligentes de treino (como alternar membros superiores e inferiores em dias consecutivos) possibilitam manter uma rotina frequente sem sobrecarregar os mesmos músculos.

    Por que o descanso é tão importante?

    O estímulo do treino provoca microlesões nas fibras musculares, comparáveis a pequenos golpes que “esculpem” o tecido. Com isso, o corpo, durante o repouso, reconstrói essas fibras, tornando-as mais fortes e volumosas. Esse processo é chamado de supercompensação.

    Ou seja, ignorar o descanso pode levar ao overtraining, isto é, a redução da performance e aumento do risco de lesões. É como tentar reformar uma parede sem deixar o cimento secar: em vez de evoluir, você trava o progresso.

    O que fazer nos dias de descanso?

    Mesmo longe da carga pesada, é possível otimizar a recuperação:

    • Alimentação: a ingestão de proteínas (1,6 a 2,2 g/kg/dia) fornece os aminoácidos essenciais para a reconstrução muscular. Carboidratos repõem energia e reduzem a degradação proteica, enquanto gorduras boas, como o ômega-3, auxiliam no controle da inflamação;
    • Recuperação ativa: atividades leves, como caminhadas, alongamentos ou mobilidade articular, ajudam a melhorar a circulação, remover metabólitos acumulados e reduzir dores musculares;
    • Sono: períodos de sono de 7 a 9 horas são fundamentais para a liberação hormonal (GH e testosterona) e consolidação das adaptações fisiológicas.
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    Netto explica que fortalecer os músculos vai muito além da estética, é cuidar da saúde. O treinamento de força é um dos pilares para o envelhecimento saudável, funcional e com autonomia.

    “É importante respeitar os limites e os dias de descanso, alternar os grupos musculares a cada treino, aumentar o peso com cautela, segurança e orientação de um profissional capacitado. O grande segredo é manter a constância até se tornar um hábito”, finaliza o profissional.

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