Saiba se a cadeira extensora realmente faz mal aos joelhos ou se é apenas um mito
Entenda como a cadeira extensora atua na articulação do joelho
A cadeira extensora é um dos exercícios mais controversos da musculação quando o assunto é saúde dos joelhos. Para muitos, ela é vista como vilã, associada a dores articulares e risco de lesão. Mas a ciência mostra que essa relação não é tão simples assim.
O exercício não é, por definição, prejudicial. O que determina se ele faz mal ou não é a forma como é executado, a carga utilizada e o histórico de quem pratica.
Por que a cadeira extensora gera tanta desconfiança?
Diferente de exercícios como agachamento ou leg press, a cadeira extensora é um movimento de cadeia cinética aberta, no qual o pé se move livremente enquanto o joelho realiza a extensão contra resistência. Esse padrão realmente aumenta as forças de cisalhamento na articulação do joelho, principalmente nos últimos graus do movimento.
Pesquisas publicadas no Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy mostram que as maiores forças sobre o ligamento cruzado anterior e sobre a articulação patelofemoral ocorrem entre 0° e 30° de extensão do joelho, ou seja, próximo ao final do movimento da cadeira extensora. Isso não significa que o exercício seja proibido, mas indica que a amplitude precisa ser bem controlada.
O que realmente acontece com o joelho durante o exercício
Uma revisão publicada no Sports Health Journal aponta que a cadeira extensora pode ser segura para joelhos saudáveis quando realizada com cargas moderadas, velocidade controlada e sem travamento total da articulação. O estudo reforça que o exercício se torna problemático apenas quando há excesso de carga ou execução inadequada.
Além disso, pesquisas na área de reabilitação mostram que a extensão de joelho em cadeia aberta é amplamente utilizada em protocolos pós-cirúrgicos, inclusive após reconstrução do ligamento cruzado anterior. Um artigo do International Journal of Sports Physical Therapy destaca que o exercício pode fazer parte da recuperação desde que a progressão seja adequada e respeite limites de amplitude e carga.
Ou seja, se a cadeira extensora fosse, por si só, prejudicial ao joelho, ela não seria usada em contextos clínicos controlados.
Quando a cadeira extensora pode sobrecarregar o joelho?
O risco aparece quando o exercício é feito sem critério. Cargas muito altas, movimentos rápidos, falta de controle e extensão completa com travamento aumentam o estresse articular e podem agravar quadros de dor anterior no joelho.
Segundo José Adeirton, educador físico e personal trainer da Academia Gaviões, estender o joelho além do limite seguro pode gerar tensão excessiva nos ligamentos e aumentar o risco de hiperextensão. Por isso, alinhar corretamente os joelhos ao eixo da máquina e manter a lombar apoiada são cuidados fundamentais para proteger a articulação.
Mito ou verdade?
É mito dizer que a cadeira extensora faz mal para os joelhos de forma geral. O exercício pode ser prejudicial quando mal executado, mas, quando feito com técnica adequada, carga ajustada e dentro de uma amplitude segura, ele pode fortalecer o quadríceps e contribuir para a estabilidade do joelho.
Como em qualquer exercício, o fator decisivo não é o movimento em si, mas a forma como ele é usado dentro do treino.





