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Varizes: entenda a relação entre hormônios femininos e cuidados essenciais para a saúde

Saiba por que mulheres são mais propensas a desenvolver o problema e quais cuidados tomar para a prevenção

Por Maraísa Bueno
8 jan 2026, 22h00 • Atualizado em 9 jan 2026, 17h00
Cirurgião vascular explica por que as mulheres são mais propensas a desenvolver o problema e quais cuidados tomar para a prevenção
Cirurgião vascular explica por que as mulheres são mais propensas a desenvolver o problema e quais cuidados tomar para a prevenção (freepik/Freepik)
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  • As varizes afetam cerca de 70% das mulheres em algum momento da vida. Embora fatores genéticos e hábitos de vida tenham peso importante, os hormônios femininos também exercem grande influência sobre a saúde das veias, especialmente durante a gravidez, o uso de anticoncepcionais e a menopausa. E, ao contrário do que muitas mulheres acreditam, as varizes não precisam doer ou incomodar para representar risco. 

    Segundo o cirurgião vascular Dr. Márcio Steinbruch, formado pela Universidade de São Paulo (USP) e especialista pela Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, o estrogênio e a progesterona têm efeito direto sobre a parede dos vasos sanguíneos. “Esses hormônios provocam relaxamento das veias, dificultando o retorno do sangue das pernas para o coração. Essa alteração pode levar à dilatação dos vasos e ao surgimento das varizes”, explica o médico.

    Na gravidez, o risco é ainda maior. Além do aumento hormonal, o útero em crescimento comprime as veias da pelve, dificultando a circulação. Já o uso prolongado de anticoncepcionais hormonais pode alterar a viscosidade do sangue e a tonicidade das veias, favorecendo o aparecimento das varizes em mulheres predispostas.

    Durante as diferentes fases da vida feminina, os hormônios exercem influência direta sobre a circulação. Na menopausa, por exemplo, a queda natural dos níveis de estrogênio reduz a elasticidade dos vasos, favorecendo a dilatação e agravando sintomas como peso, dor e inchaços nas pernas. “É um período em que as varizes tendem a se tornar mais evidentes, especialmente em mulheres que já apresentavam predisposição genética ou passaram por gestações”, explica Dr. Márcio.

    Embora seja uma condição comum, o aparecimento de varizes merece atenção. O problema pode ir além do incômodo estético, causando desconforto, dor e sensação de peso nas pernas, além de aumentar o risco de inflamação e trombose. “Hoje, dispomos de técnicas modernas, como o laser e outros procedimentos, que tratam as varizes de forma eficaz e com rápida recuperação”, destaca o especialista.

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    Entre as medidas preventivas, o médico recomenda manter o peso corporal adequado, praticar exercícios regularmente, evitar longos períodos em pé ou sentada e usar meias elásticas quando indicado. “Cuidar da circulação é cuidar da saúde como um todo. E, no caso das mulheres, isso inclui atenção especial às fases em que o corpo passa por grandes mudanças hormonais”, conclui.

    Exercícios físicos: aliados na prevenção de varizes durante a menopausa

    A menopausa causa grande impacto no organismo da mulher, levando ao surgimento de sintomas que não apenas prejudicam a qualidade de vida, mas também a saúde. E algo que pode acontecer é a circulação sanguínea sofrer com o período, o que favorece que as temidas varizes apareçam.  

    De acordo com a A Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular – Regional São Paulo (SBACV-SP), com a diminuição dos hormônios femininos na menopausa, as veias podem se tornar mais finas, dilatadas e tortuosas, favorecendo o aparecimento de varizes.

    “As varizes são veias dilatadas e tortuosas que perderam sua função e afetam a saúde vascular, além de causarem certo desconforto estético. Trata-se de um problema multifatorial, muito relacionado à genética, à obesidade e aos hábitos de vida. Mas algumas características comuns da menopausa podem favorecer o surgimento da condição”, explica a cirurgiã vascular Dra. Aline Lamaita, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular.

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    Já o ginecologista Dr. Igor Padovesi, autor do livro ‘Menopausa Sem Medo’ (Editora Gente), especialista em menopausa certificado pela North American Menopause Society (NAMS) e membro da International Menopause Society (IMS), o desequilíbrio hormonal característico da menopausa é o principal fator envolvido na maior incidência de varizes nessa fase. 

    “Com a queda nos níveis de estrogênio que começa a ocorrer por volta dos 40 anos, as paredes das veias tendem a tornar-se mais frágeis, delicadas e suscetíveis à inflamação. Além disso, também há um afinamento da pele, o que faz com que essas veias fiquem mais aparentes”.

    O especialista também acrescenta que há outros fatores que também desencadeiam varizes, como o ganho de peso e a retenção de líquidos, situações que ocorrem com mais facilidade também na menopausa. 

    A perda de massa muscular também está relacionada ao surgimento dessas alterações e varizes. Isso afeta toda a musculatura do corpo e a panturrilha não fica de fora. “Enquanto o coração é o grande protagonista do sistema arterial, a musculatura da panturrilha é a principal responsável pelo retorno efetivo do sangue para o pulmão. Por isso dizemos que a panturrilha é o coração das pernas. Dessa forma, qualquer situação em que a panturrilha não funcione adequadamente vai piorar a circulação, diminuindo a velocidade do sangue dentro das veias e favorecendo o surgimento de varizes”, explica a Dra. Aline.

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    O que fazer para evitar varizes na menopausa? 

    É importante redobrar os cuidados para garantir uma boa circulação venosa durante a menopausa e evitar o surgimento de varizes, como manter o peso sob controle, parar de fumar, praticar exercícios regularmente e adotar uma alimentação balanceada. 

    “Além disso, se você trabalha sentada ou passa muito tempo na mesma posição, é importante fazer pequenas pausas de tempos em tempos para andar um pouco e exercitar as pernas. O uso de meias de compressão também pode ser recomendado, pois, ao comprimirem os vasos sanguíneos da perna, melhoram a circulação e o retorno venoso”, recomenda a Dra. Aline Lamaita.

    Mas, se o problema é existente, não deixe de buscar a opinião de um cirurgião vascular para ter o tratamento correto e prevenir inflamações ou até mesmo quadros de trombose. “Para varizes menores ou vasinhos, uma opção é a escleroterapia, onde uma substância química é injetada nas veias para fechá-las. Já para as varizes maiores, o médico poderá indicar laser, espuma ou até mesmo cirurgia. É possível, inclusive, combinar diferentes técnicas para o tratamento de varizes, como é o caso do ClaCs, que combina o laser transdérmico com escleroterapia (injeções de glicose)”, finaliza a especialista.

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