
Caixas e mais caixas de roupas, livros, louças e tantas outras coisas que compõem uma casa. Espirro, nariz escorrendo, olhos inchados e aquela vontade de coçar o fundo da garganta sem saber como. Um roxo aqui na perna, uma batida no cotovelo e coxas cansadas de tanto subir e descer.
Foi assim que comecei o ano: com uma grande mudança. Minha mãe morou a vida inteira em casas grandes e agora tem um novo projeto de vida, que inclui uma casa bem menor e uma vida mais tranquila.
Fui ajudá-la no dia em que o caminhão, depois de passar por um derramamento de cocos verdes na estrada, chegou à casa nova. Tirar tudo do lugar, organizar, analisar, avaliar, classificar.
Mandar embora o que não faz mais sentido, mandar embora o que ainda faz sentido mas não cabe mais. Reorganizar, testar se funciona e ajustar o que não deu certo de cara.
Mudar dá muito trabalho. Começa com uma vontade e uma ideia. Em seguida, demanda planejamento, tempo, esforço, paciência e dá um baita cansaço físico. Nessa casa da minha mãe, o espaço para guardar as roupas não tem nenhuma gaveta, é preciso se adaptar ao novo.
Após um período vivenciando a mudança a gente precisa trocar algumas coisas de lugar porque não ficaram tão fáceis quanto parecia na nossa imaginação, uma boa dose de persistência é necessária para a gente não desanimar com os desafios.
De tempos em tempos dá saudade de um livro que você achou que não queria mais, um arrependimento de ter jogado fora aquela blusa da festa em que você conheceu seu amor (e que não cabia mais no seu braço há quase uma década). Mas bate um alívio de ter mandado embora um tanto de papel que entupia as gavetas fazendo o espaço parecer minúsculo.
Ali, no meio das caixas, procurando a pasta para escovar meus dentes, cansada e satisfeita em sentir a casa se tornando um lar, me dei conta de que mudar hábitos de saúde é exatamente como mudar de casa!
Precisa de planejamento, desapegar do antigo, se adaptar ao novo, ser criativo para dançar com os desafios. Cansa, dói, alivia e leva tempo para se sentir em casa de novo. Mas quando a gente segue firme se ajustando é uma delícia a sensação de morar no próprio corpo!